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“Neurociência e organização a serviço da produtividade”

Olá, Secretariando! Tudo bem por aí?

 

Por aqui começando mais uma semana e feliz por poder trazer um tema bastante pertinente hoje, que eu gostei muito de revisitar enquanto me preparava e escrevia este artigo. Durante o COINS 2017 eu assisti a palestra da Dra. Carla Tieppo, cujo tema foi: “Neurociência e organização a serviço da produtividade”.

 

Além do conteúdo envolvente e da abordagem leve, a palestra da Dra. Tieppo trouxe reflexões e ferramentas de fácil aplicação no dia-a-dia; e é por este motivo que eu decidi compartilhar com você o que foram para mim os pontos mais importantes da exposição feita por ela, com tanta propriedade.

 

A Dra. Carla começou a conversa com uma provocação a respeito da sensação de “falta de tempo” que sentimos rotineiramente. Você sente que tem menos tempo do que tarefas para realizar? Bom, parece que podemos dar as mãos então, porque a maioria de nós sente-se assim, inclusive a maioria dos assistentes que estavam presentes na palestra.

 

E é com essa base que a Dra. Carla introduziu a importância da boa gestão do tempo e da necessidade que temos de transformar as facilidades do século XXI em potências, não em vícios.

 

Para entender a importância deste tema, é necessária uma contextualização. Comecemos falando dos comportamentos humanos. Apesar de sermos seres racionais dotados de inteligência, nossos comportamentos são mobilizados pelos mesmos instintos dos animais. Porém, enquanto o nosso cérebro é parecido com o dos animais, o nosso mundo não é o mesmo deles. Os animais vivem em um ambiente muito mais simples que o nosso, que é tão complexo por diversos motivos.

 

Isso explica o porquê muitas vezes é tão difícil para nós colocarmos em prática tudo o que aprendemos para a melhoria da nossa performance, por exemplo. Ocorre que não temos tempo para nos adaptar, nessa rotina atual moderna – e isso é antinatural para o nosso cérebro. Diferente dos animais, que passam a vida toda se adaptando, nós não contamos com esta possibilidade. Ou seja, no caso dos animais, o “rumo natural das coisas” costuma atender às suas necessidades, o que não acontece conosco, devido à complexidade do ambiente em que estamos inseridos.

 

E agora? Há solução?

 

Sim, claro. Apesar de essa necessidade de adaptação tão dinâmica ser antinatural para o nosso cérebro, não se trata de algo impossível de ser feito. Porém, para que possamos alcançar essa meta, precisamos estabelecer ações diretivas diferenciadas.

 

O que o ser humano tem em seu favor neste caso é a sua capacidade de mudar as estratégias, coordenar melhor o tempo, a organização e programar seus comportamentos para que sejam adequados ao ambiente do qual ele faz parte.

 

Sim, o aprendizado e a adaptação rápidos e dinâmicos são necessários. Sim, também são antinaturais para o nosso cérebro. E não, não se trata de algo impossível de realizar, mas é preciso APRENDER.

 

A Dra. Carla comentou que o ser humano só deixou de ser presa para ser predador quando conseguiu manejar armas para se defender e para caçar. Ou seja, como presas naturais, nós temos comportamentos que reagem ao medo e buscam proteção. O paradoxo da vida moderna é que nós é exigido um comportamento pró-ativo, de protagonismo, de exposição – e isso naturalmente é um choque para nós.

 

E essa necessidade de termos comportamentos que são antinaturais ao nosso instinto gera o que nós chamamos de “estresse”. Estresse pode ser definido por uma sensação de sobrecarga tão grande que você chega ao ponto de não saber o que tem que ser feito ali, naquela situação, naquele momento.

 

Considerando que a maior parte dos nossos comportamentos são fruto das situações que estamos vivenciando, o primeiro caminho para melhorar a nossa performance e produtividade é o conhecimento.

 

A exposição a temas diferentes dos que estamos acostumados, não apenas ao que nos é familiar, gera um ganho enorme, pois podemos fazer correlações, analogias, e encontrar soluções diferentes, que poderão incrementar nossa bagagem e o nosso dia-a-dia.

 

Agora voltemos ao tempo. Ele é um recurso não renovável, se extingue a cada segundo que passa. Por isso precisamos fazer o melhor aproveitamento dele, certo? E o que fazer com aquelas coisas que consomem o nosso tempo e a nossa energia? Como lidar com isso de forma a potencializar a nossa produtividade?

 

Primeiramente é importante dizer que as coisas que gostamos de fazer (sejam elas vícios ou não) estão marcadas pelo prazer. E que o sistema que está relacionado com os vícios é o mesmo que subtrai a nossa motivação do restante das coisas que a gente faz ou precisaria fazer.

 

Por exemplo: o nosso organismo pede comida não quando queremos, mas quando ele entende que podemos dar a ele comida. O que isso significa? Que nós marcamos comportamentos quando eles estão disponíveis para nós.

Com a procrastinação também funciona deste jeito. Cada vez que procrastinamos criamos um ciclo vicioso e voltamos a procrastinar uma vez mais, e outra e mais outra. E quando rompemos o ciclo da procrastinação? Quando nos encontramos no limite, com aquele deadline estourando, literalmente quando estamos com “a corda no pescoço”. O que significa que o ciclo vicioso da procrastinação faz com que vivamos sempre à beira do estresse. Porém, este é um estresse que nós mesmos geramos.

 

A boa notícia é que o mesmo cérebro que tem comportamentos viciosos também tem a potência de construir comportamentos virtuosos. Porque ele também dá sinais de recompensa (prazer) quando, como aqui no nosso exemplo, entregamos as coisas no prazo, terminamos uma tarefa com antecipação ou quando deixamos de procrastinar.

 

Antes de falar sobre como podemos “marcar” em nosso cérebro os comportamentos virtuosos, falemos dos vícios da sociedade moderna para entender melhor o seu impacto em nossa rotina e produtividade. A Dra. Carla comentou sobre as novas síndromes que já estão catalogadas pela psicologia:

 

  • FOMO (fear of missing out): é uma síndrome que nos deixa ansiosos e preocupados, com medo de estar perdendo algo novo que está acontecendo. Um novo conhecimento, uma nova técnica, uma nova informação, etc.

Como lidar com isso? Precisamos fazer mais sínteses em nossas escolhas na vida, onde menos é mais. Quando temos muita informação disponível, queremos tudo e seguimos numa roda viva atrás de informação que não teremos sequer capacidade de processar e absorver. Precisamos ter a capacidade de definir, de escolher, de aumentar a seletividade. A produção de informação é muito alta, se não formos seletivos, não damos conta, e isso se torna um vício.

 

  • Always on: nos acostumamos a ficar sempre conectados. Isso acelera o nosso cérebro e, se ele ficar sem esses estímulos, sentirá falta – o que poderá gerar um quadro de ansiedade. Segundo dados apresentados pela Dra. Carla, atualmente 44% da população brasileira está diagnosticada com ansiedade. Estudos afirmam que nós pegamos o celular nas mãos em uma média de 150 vezes por dia. Estamos acostumados a este estímulo e ao fato de que está tudo “na ponta do dedo”, e quando ficamos sem isso, sentimos abstinência.

 

Como lidar com isso? Precisamos entender que essa velocidade precisa ser acessada de forma produtiva e que estamos gastando mais tempo com coisas que não gastávamos antes – e o pior: reclamando que não temos tempo suficiente! O cérebro se acostuma com estímulos muito rapidamente e, quando condicionado desta forma, perde a sua capacidade de foco, o que nos impede de nos concentrar e realizar uma tarefa específica.

 

  • TGIF (Thanks God It’s Friday): precisamos tomar cuidado com essa síndrome da “euforia pela chegada da sexta-feira”. A este respeito, a Dra. Tieppo fez o seguinte comentário: “a sexta-feira não foi feita para antecipar os nossos ciclos viciosos do final de semana, mas para comemorar os nossos ciclos virtuosos durante a semana”. Ela lembra ainda que a segunda-feira deveria ser o dia em que temos mais energia, pois teoricamente, é quando estamos mais descansados; mas infelizmente acaba não sendo, porque esgotamos toda a nossa motivação na sexta-feira.

 

Como lidar com isso? Para que isso não ocorra, precisamos encontrar valor no nosso trabalho, perceber que há hábitos sociais que são maléficos e que sua reprodução deve ser evitada, como por exemplo a euforia pela sexta-feira e a reclamação a respeito da segunda-feira. Sem que percebamos, essa postura gera um efeito sobre a nossa psique e na forma como agimos em nossa rotina.

 

  • Compulsão alimentar e dependência química: quando construímos um ambiente que não é produtivo e agradável, o pior prejuízo vem sobre nós mesmos. Criamos uma baixa de energia tão importante que passamos a buscar outras coisas no mundo para compensar esse desequilíbrio (por exemplo, alimentação e compras compulsivas, dependência química). Isso ocorre porque, no fundo, estamos esvaziando a nossa vida de significado e precisamos preenchê-la com outras coisas, por carência e por necessidade de prazer.

 

Segundo a Dra. Tieppo, a nossa qualidade de vida depende, dentre outras coisas, também da relação que temos com o nosso trabalho, nosso empregador e nosso gestor. Por isso é tão importante construir um comportamento produtivo. Precisamos entender que não estamos construindo para fora, para o outro, mas para nós mesmos, pelo nosso próprio benefício.

 

Todas as compulsões que temos liberam em nosso organismo níveis hormonais de dopamina e serotonina, que nos proporcionam uma sensação de bem-estar. É importante entender que todos os nossos comportamentos compulsivos e vícios tem como origem a necessidade de preencher um vazio que geralmente está sendo gerado por uma sensação de inadequação, de não conseguir, de não ser suficiente, de ansiedade, estresse, perigo, medo, dentre outras.  

 

Na continuação, a Dra. Carla menciona o livro “Rápido e devagar, duas formas de pensar”, do escritor Daniel Kahneman, e comenta que nele o autor fala sobre 2 formas de tomar decisões.

 

A primeira seria a forma automática, movida por nossas emoções e que muitas vezes nos leva a repetir comportamentos que no passado se mostraram ineficientes. A segunda forma seria um sistema mais lento e que cria um diálogo, trazendo um insight melhor sobre o que é adequado fazer.

 

Partindo do princípio de que a segunda opção é aquela que desejamos desenvolver, Dra. Tieppo explica que precisamos de aproximadamente 30 dias para criar um novo hábito e nos ensina uma técnica para aumentar o sucesso na criação deste, que se consistiria em:

 

  1. escolher um único comportamento que se queira mudar ou um novo hábito para ser emplementado
  2. fazer duas listas: uma que mencione o que eu ganho ao incorporar este novo hábito, e outra lista que mencione o que eu perco ao não fazê-lo.
  3. ler estas listas sistematicamente, sempre que cometermos o erro de falhar com aquele propósito.

 

A ideia aqui é aprender a “marcar” com dopamina, com sensação de recompensa, cada vez que o comportamento virtuoso for levado adiante e também ganhar força para detectar o erro, ao invés de ignorá-lo.

 

Seria a dopamina então a mocinha ou a vilã? Isso dependerá do que eu e você usarmos para “marcar” a dopamina em nossos comportamentos.

 

Podemos marcar comportamentos que são positivos, mas que antes passavam como neutros (como por exemplo: não procrastinar). A ideia é perceber os benefícios da não procrastinação e alimentar isso, celebrá-los, comemorar pequenas vitórias, um dia de cada vez. O motivo para isso é que quando nos apropriamos de um novo comportamento, se somos capazes de perceber as vantagens, nosso organismo libera dopamina, ou seja, passaremos a marcar com dopamina os comportamentos positivos: entregar no prazo ou concluir uma tarefa antes do prazo necessário, passariam a ser atitudes percebidas por nosso cérebro como fontes de recompensa e, consequentemente, criaríamos o novo hábito de não procrastinar.

 

Fica claro que o exercício e a reflexão propostos aqui são parte de uma jornada de autoconhecimento, na qual podemos descobrir que a nossa parte emocional desconhece a nossa parte racional, mas é importante que elas andem juntas. Não deveria existir a separação entre razão e emoção, o melhor é que essas duas se conversem. Quando conseguimos conciliar esses dois lados, aprendemos a nos ler, a nos conhecer, a entender “o que me faz sentir assim?”, ou “por que eu reajo dessa forma?”, etc.

 

A emoção não é algo que o outro nos faz sentir, somos nós quem a produzimos. A emoção que sentimos é resultado de uma interpretação nossa das situações, pois nós temos o filtro da percepção, o mundo é como nós somos. Nós vemos o mundo como nós somos.

 

E para finalizar, a Dra. Carla conclui: “se tivermos uma interação com o mundo de forma mais assertiva, mais honesta e conseguirmos desenvolver comportamentos que aumentem a nossa produtividade, o resultado é que usamos a emoção como força para nos levar aonde queremos ir. Usamos essa potência como combustível. Fora disso, temos que carregar o peso dela nas costas, o que faz com que seja muito mais difícil sairmos do lugar.”

 

“Quando queremos lutar contra a nossa emocionalidade, ao invés de usá-la como ferramenta para a nossa produtividade, ficamos o tempo todo em briga com ela. Essa luta está travada constantemente com tudo o que tem a ver com a nossa auto-estima, com nossos relacionamentos, com tudo o que não está de acordo para nós em nossas vidas. E, como resultado, nossa produtividade é afetada e, em última instância, a nossa qualidade de vida também. Precisamos aprender que o equilíbrio é a melhor das ferramentas que temos para viver.

 

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Muito obrigada pela leitura e, como sempre, te espero nos comentários para continuarmos a conversa!

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