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“Os atributos da liderança feminina”

Olá, Secretariando! É com muita alegria e uma honra enorme que eu compartilho com você um artigo colaborativo com o qual contribui, a convite da maravilhosa Marcela Brito – profissional incrível e mulher inspiradora! Participar deste projeto foi um presente para mim, e eu gostaria de dividir ele com você, nesta data tão importante!

 

 

Amigas leitoras e amigos leitores,

 

É com grande alegria que neste dia 8 de março, quando comemoramos o Dia Internacional da Mulher, compartilho o segundo texto produzido de forma colaborativa. Este texto é dedicado à reflexão, ao debate e esperamos que em muitas rodas de conversas esta pauta seja incluída. Neste mês, tenho a enorme satisfação de trazer como convidada uma mulher tão inteligente quanto bela (em todas as suas formas) e que desde outubro tem se mostrado para mim um ser humano admirável! Com vocês, Simone Cunha Reis, a competente idealizadora do Blog “Secretariado com Simone”, com quem tive o prazer de escrever este texto. Fiquem à vontade e boa leitura:

 

Enquanto mulheres recebemos mensagens muito específicas ao longo de nossa vida. Desde muito pequenas somos ensinadas a agradar a todos e a competir umas com as outras. Somos levadas a buscar um nível de perfeição, mas que ao mesmo tempo não afronte ou ofenda a soberania masculina. As brincadeiras que nos são ensinadas deixam muito claro quais são exatamente as expectativas a nosso respeito. Tudo isso compõe um cenário de muitos desafios, que esta geração de jovens mulheres tem mostrado que está disposta a superar.

 

Quando nos apropriamos desses desafios e os reconhecemos como matéria prima para o nosso crescimento, é inevitável embarcar em uma jornada de autoconhecimento, e é a partir deste ponto que entendemos a importância de ajustar o foco, de lançar um novo olhar sobre a nossa realidade – e essa ressignificação pode ser transformadora.

 

Todos esses desafios que se apresentam diante de nós ao longo de nossa vida podem ser observados e processados desde outros pontos de vista: a partir da força, da determinação, da coragem e da resiliência que eles geram em nós, ao nos vermos impulsionadas pela vida a enfrentar cada um deles, enquanto moldamos o nosso caráter e interagimos socialmente, dia após dia.

 

Essas fortalezas que brotam em nós, se canalizadas na direção certa, nos fazem exercitar habilidades extremamente poderosas e, ao lançar mão delas com sabedoria, podemos chegar onde jamais imaginamos.

 

Uma dessas habilidades, eu arriscaria dizer, seria a intuição. Muitas de nós passamos tanto tempo focadas em “estar a altura” e lidar com a competição, olhando sempre para fora, e preocupando-nos com o que é esperado de nós, que nos esquecemos de olhar para dentro. Mas a nossa intuição nos diz muito, e nós precisamos aprender a escutá-la, precisamos aprender a confiar que o nosso coração sabe, lá no fundo, qual caminho seguir. Isso não significa que teremos todas as respostas de forma imediata, que não sentiremos medo ou não teremos dificuldades se seguirmos por este caminho, mas sim que estaremos sendo leais a nós mesmas.

 

Outra dessas habilidades seria a conexão. Para conectar-se é necessária vulnerabilidade. Você consegue conectar-se com alguém que parece frio e distante? E que ironia – a vulnerabilidade, que é a primeira coisa que que buscamos no outro, é também a primeira coisa que escondemos em nós mesmos.

 

“Permanecer vulnerável é um risco que nós temos que tomar se nós queremos experimentar a conexão.”
― Brené Brown, A Coragem de Ser Imperfeito

 

Eu gostaria de sugerir que resgatemos isso, e que de forma vulnerável, aprendamos a trazer as nossas próprias experiências, sentimentos e aprendizados para dentro de nossos projetos. É assim que fazemos a diferença no mundo, no meio de tantas vozes, comunicando com a nossa voz, falando desde um lugar sincero, com a nossa verdade.

 

“Autenticidade é uma coleção de escolhas que nós temos que fazer todos os dias. É sobre a escolha de estar presente e ser real. A escolha de ser honesto. A escolha de deixar o nosso eu verdadeiro ser visto.”
― Brené Brown, A Coragem de Ser Imperfeito

 

Em um mundo que nos dita padrões a serem seguidos, estamos em uma busca frenética por autenticidade. Em um mundo onde temos acesso a uma infinidade de conexões, estamos carentes por pertencimento. O preço da autenticidade é a vulnerabilidade e a conexão, tanto com o outro quanto com nós mesmos. E, como todo processo que vale a pena e que gera frutos valiosos e únicos, é incômodo e transformador.

 

Permitir-se sentir as emoções dos ganhos e das perdas abre uma linda passagem para que outros e, especialmente, outras não se sintam mal por também poderem sentir. “Tentar ser um homem é desperdiçar uma mulher”. A frase que faz referência à protagonista do filme “Não sei como ela consegue”, por Sarah Jessica Parker não busca uma competição inútil e desnecessária com nossos companheiros de vida e trabalho, todavia destaca a grandeza de deixarmos fluir em nossas ações e em nosso discurso o que há de melhor em nossa essência.

 

Podemos e devemos ser firmes e seguras em nossas decisões, mas necessitamos nos perdoar quando o erro acontecer, porque simplesmente eles vão acontecer e não há o que possamos fazer, por mais controle que possamos gerar. O melhor é aprender a aprender com os erros e as frustrações intrínsecas à vida e, mais ainda, no contexto corporativo, intrínsecas à liderança feminina.

 

Ainda temos um longo caminho a ser percorrido no que diz respeito à representatividade e legitimidade de nossa posição nas organizações. Não é que não estejamos representadas e, se não ainda da maneira como deveríamos, pelo menos estamos em vários segmentos da sociedade, contribuindo em todos os setores da economia. No entanto, há uma espera constante pela legitimidade de nossa posição, de nossa voz. Queremos falar e queremos ser ouvidas ativamente, com respeito, com imparcialidade, sem preconceitos, sem estereótipos.

 

E para que isso seja real no cotidiano precisamos mudar uma cultura e a cultura é responsabilidade de todos nós, mulheres e homens, uma vez que um homem que compreende o poder de dar voz a uma mulher é o mesmo homem que pode legitimar nossa posição de liderança nos diversos ambientes sociais. Precisamos de você, mulher, que muitas vezes reforça estereótipos e injustamente sabota a conquista de outras mulheres, apenas porque ela decidiu ter uma vida diferente da sua. Precisamos de você, mulher, que quando líder de si e de outros, tantas vezes se sente intimidada e se cala.

 

Precisamos de mães e pais que eduquem meninas e meninos com liberdade, clareza, amor, respeito e apresentando a beleza de escolherem aquilo que podem fazer para se sentirem felizes. Temos o poder nas mãos em mudar a mentalidade da próxima geração e devemos observar isso, porque o tempo passa tão rápido como o dia de hoje, quando paramos para refletir sobre nosso papel e amanhã voltamos a agir para manter o status quo que nos condenou à margem de tantos papéis na sociedade.

 

Nesse contexto, destaca-se uma era onde as mulheres decidiram se apoiar, se ajudar e dar permissão umas às outras para que, juntas, fossem capazes de mudar a cultura que ainda predomina e onde nosso papel ainda é abafado por muitos padrões sociais. Aqui falamos sobre sororidade.

 

“Sororidade é a ideia de irmandade entre mulheres.”
― Babi Souza, Vamos juntas? Um guia de sororidade para todas

 

Empoderar é lutar para que outros tenham voz, sejam ouvidos com respeito e tenham acesso às mesmas oportunidades. E o empoderamento começa com este senso de irmandade, de amor, de cuidado e preservação pela dignidade e pela integridade de outras mulheres. O ambiente corporativo traz muitos depoimentos e histórias de péssimos exemplos de liderança feminina. Mas quantas vezes falamos com tanta dor dos mesmos atos abusivos sofridos por homens em posições similares?

 

Ao conduzirmos processos e pessoas sentimos um peso fora do comum que muitos homens não sentem, ainda que errem e cometam devaneios ao longo de uma gestão. Somos julgadas de maneira mais cruel e desrespeitosa e isso bloqueia nosso desejo de seguir adiante muitas vezes. E dessa forma, entendemos que o que nos estimula a continuar é o senso de responsabilidade que temos por tudo e todos que estão sob nossa tutela.

 

Um exemplo é a ilustração histórica apresentada pelos autores Barbara e Allan Pease sobre o papel feminino na pré-história, onde mulheres passavam o dia a cuidar dos filhos, colhendo frutos e sementes e se relacionando com outras mulheres. Nós costumávamos nos relacionar e ainda o fazemos, porém de maneira diferente e com a configuração do mundo do trabalho e emprego, algumas vezes construímos um muro de competitividade pelo avanço das mulheres com as quais nos relacionamos.

 

Existe algo essencial em nós, mulheres, em nossa evolução, que nos prova que nossa natureza é baseada no amor, na capacidade de avaliar detalhes, de cuidar, de proteger e de zelar por aquilo que está sob nossa responsabilidade. Isso diz muito sobre nossa capacidade de liderar e de gerarmos resultados positivos para qualquer instituição, por meio desses atributos apresentados no texto. Existem muitos outros atributos, mas esses, sem dúvida, são essencialmente femininos. Que tal olharmos com mais carinho para esses atributos e destacá-los ao longo de nosso trabalho, independente de nossa posição nas organizações.

 

A ideia não é sermos melhores ou piores do que os homens e menos ainda do que outras mulheres. O foco deve estar no respeito que gostaríamos de receber pelas decisões que tomamos ao longo da vida e isso inclui todas as outras escolhas que uma mulher decide assumir ao longo de sua vida.

 

“A igualdade entre homens e mulheres é uma questão moral ou política. A diferença essencial é uma questão científica.”
― Barbara e Allan Pease, Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?

 

Por Simone Cunha Reis e Marcela Brito

 

PSIU: para acessar o post original no blog da Marcela Brito, clique aqui! 😉

Author: Simone

Bacharel em Letras pela USP, Técnica em Secretariado Executivo, fluente em inglês, espanhol e português. Criadora do Secretariado com Simone, atualmente vivendo em Santiago do Chile.

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