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“Precisamos falar sobre o ERRO”

Amamos a perfeição e detestamos o erro, mas há um porém: a perfeição não existe; já o erro… ah, nosso companheiro erro… ele está sempre por aí!

 

Eu era aquela criança sentada na primeira carteira, na frente do professor. Tinha notas altas, entregava os deveres impecáveis e em dia, fechava a média do boletim para passar de ano ainda no terceiro trimestre. Era aquela aluna exemplar nas aulas de dança.

 

Mas eu também era aquela criança que não se dedicava muito aos esportes porque “não jogava bem”, aquela adolescente que decidiu sair da turma do inglês avançado no colegial porque “não dominava o idioma”. E também aquela criança que chorou durante os ensaios de dança porque não conseguia “fazer estrelinha” na coreografia.

 

Eu era mimada? Não! Tive uma criação que não me deixou ser mimada. Porém, eu estava acostumada a “ser boa em tudo” e a ser reconhecida e muito elogiada por isso. Eu recebi a medalha de melhor aluna da sala por 3 anos consecutivos no primário (daquele ano em diante eles deixaram de entregar medalhas).

 

Acontece que, conforme a vida foi avançando, as dificuldades foram aumentando. E até ali, com as experiências que eu tive, minha mentalidade foi formada voltada para os meus dons, fortalezas e talentos. Quando um desafio se apresentava em forma de algo complexo ou fugia à minha zona de conforto, eu reclamava e me desmotivava.

 

Pois bem, o tempo passou, a Simoninha cresceu, e cá está na vida adulta – tendo que lidar com desafios e mais desafios e claro, como não poderia deixar de ser: cometendo erros e mais erros. Muitos acertos também, com certeza. Mas os erros… ah os erros!

 

Se você me acompanha sabe que eu venho em uma jornada de autoconhecimento intensa nestes últimos anos. E eu sabia que precisava falar deste assunto. Mas era tão sensível para mim este tema, que eu decidi pedir a colaboração daquelas pessoas que me acompanham, para escrever um “artigo colaborativo”. Acho que eu precisava de uma (ou de algumas) mão amiga estendida para mim, para me acompanhar nesta travessia.

 

Então, perguntei para as pessoas nas redes sociais: “quando você pensa na palavra ‘erro’, o que vem à sua cabeça?”. E as respostas foram diversas e muito interessantes:

 

Danda Simao disse: “vem várias coisas no pensamento, depende muito do contexto em que o erro aconteceu. Mas se o erro foi meu, me cobro demais por não ter pensado antes na maneira de fazer certo.”

 

Onboard Assistente Virtual comentou: “aprendizado. Nos erros vejo onde estão minhas falhas e a partir daí, fico mais atenta para não cometer os mesmos erros novamente. Não sou perfeccionista pelo simples fato disso não existir. Sabemos que não somos perfeitos, portanto não é possível que nossas decisões e tarefas sejam perfeitas o tempo todo.”

 

Andrea relatou: “culpa.”

 

Marcela respondeu: “erro para mim significa duas coisinhas bem pontuais: aprendizado e segunda chance.”

 

Ana Paula complementou: “quando penso em erro logo me vem aprendizado. Tenho uma ideia formada de quem erra é exatamente o mesmo que também traz resultados. Errar, de formas diferentes, traz maturidade profissional.”

 

Eliana acrescentou: “erro representa para mim amadurecimento e crescimento profissional, pois qualquer pessoa pode cometê-lo mas a diferença é a forma como conduz após o ocorrido. Primeiramente é necessário assumir e se retratar e posteriormente buscar uma solução para minimizar o dano. Assim, tudo será conduzido de uma forma mais amena.”

 

E finalmente, Wanessa também enviou a sua contribuição: “erro para mim significa tentativa e missão em andamento.”

 

Bom, eu me propus a responder esta mesma pregunta. E a minha resposta veio em formato de mapa mental. São tantos os sentimentos que tenho quando penso em situações de erro, que eu precisava externar isso de forma leve, criativa e divertida, já que, como você está prestes a ver, meu primeiro pensamento a partir da palavra “erro” é o mais cruel possível:

 

 

Iniciei o mapa mental escrevendo “ERRO” no centro. E a partir daí comecei escrevendo palavras que vinham à minha cabeça quando eu lembrava situações em que eu havia errado, são elas: frustração, imagem manchada, culpa, perda de tempo, desorganização, estupidez (!), incompetência (!!!) e retrabalho.

 

 

Sim, eu sei. Enquanto escrevo este artigo que me faz tão vulnerável, estou respirando e me comprometendo em simplesmente escrevê-lo, sem a obrigação de publicá-lo, para seguir em frente com a reflexão 😉

 

Em seguida, eu me perguntei: quando eu penso em “erro” e cada um destes sentimentos ou palavras vem à minha cabeça, qual pensamento é ativado? Qual gatilho me faz sentir assim ou relacionar “erro” à cada uma destas palavras ou sensações? As respostas foram:

 

– Frustração: “não acredito que eu fiz isso!”

– Imagem manchada: “o que vão pensar de mim?”

– Culpa: “isso agora está na minha conta!”

– Perda de tempo: “fazer de novo”

– Desorganização: “se eu fosse mais organizada…”

– Estupidez: “eu não sou tão boa quanto eu penso ou pareço ser” (!)

– Incompetência: “eu deveria ter previsto isso / saber disso”

– Retrabalho: “se eu fosse mais inteligente / mais atenta, isso não teria acontecido” (!!!)

 

Pois é, continue comigo, não me deixe sozinha nessa toca do coelho (risos nervosos)!

 

Quando eu terminei de escrever tudo isso, me detive. Parei, li, reli. Nessa altura, já estava mais do que claro que eu precisava fazer algo a respeito. E eu tenho feito. Mas agora senti a necessidade de materializar isso. Então, em seguida, eu ponderei: todos os meus pensamentos, sentimentos e palavras relacionados ao erro são negativos! Quais pensamentos, em cada uma destas situações, eu poderia ter – ao invés destes – que me fizessem crescer e me sentir melhor? Então, surgiu isso:

 

– Frustração:

Ao invés de: “não acredito que eu fiz isso!”

Eu posso pensar: “erros acontecem. Não existe perfeição, mas a jornada de excelência. Agora eu posso fazer melhor da próxima vez. Eu me perdoo.” <3

 

– Imagem manchada:

Ao invés de: “o que vão pensar de mim?”

Eu posso pensar: “eu sou um trabalho em progresso, não preciso ser perfeita para fazer o meu trabalho, mas preciso ser resiliente. Não preciso ser perfeita para ser amada e aceita” (UAU! Terapia pra quê? Bóra escrever artigo, minha gente! Hahaha!)

 

– Culpa:

Ao invés de: “isso agora está na minha conta!”

Eu posso pensar: “eu tenho a chance de consertar, aprender e, quem sabe, ensinar outras pessoas como fazer da forma correta. Preciso lembrar deste aprendizado quando errarem comigo.” (eu disse pra você vir comigo, tá valendo a pena, tá não?!)

 

– Perda de tempo:

Ao invés de: “fazer de novo”

Eu posso pensar: “esta é uma oportunidade de aprender a fazer certo. Como posso melhorar este processo e colocar travas para evitar que este erro se repita?”

 

– Desorganização:

Ao invés de: “se eu fosse mais organizada…”

Eu posso pensar: “preciso me preparar melhor da próxima vez. Enquanto isso, vou contornar a situação da melhor forma possível.”

 

– Estupidez:

Ao invés de: “eu não sou tão boa quanto eu penso ou pareço ser”

Eu posso pensar: “um erro não me define, estou aprendendo e melhorando a cada dia. Sou capaz e vou me esforçar.”

 

– Incompetência:

Ao invés de: “eu deveria ter previsto isso / saber disso”

Eu posso pensar: “agora eu já sei uma maneira de fazer melhor o meu trabalho e uma forma de ser mais competente. Como internalizo este processo?”

 

– Retrabalho:

Ao invés de: “se eu fosse mais inteligente / mais atenta, isso não teria acontecido”

Eu posso pensar: “inteligência emocional, Simone! Da próxima vez preciso ter mais atenção e ser mais atenta. O que me distraiu? Como mitigar esta distração?”

 

Ao final, enquanto olhava para o meu mapa mental, eu comecei a buscar palavras-chaves que me chamassem atenção na camada dos “pensamentos construtivos”. E eu destaquei os seguintes termos: jornada, perdão, resiliente, trabalho em progresso, melhorar processo, contornar, um erro não me define, capaz, esforçar, internalizar e inteligência emocional.

 

 

Que diferença das palavras da primeira camada, não é mesmo?

 

Quando parei para analisar estes termos que intuitivamente chamaram minha atenção, eu tentei tirar lições práticas deste exercício. E identifiquei aos seguintes contrapontos, nos quais decidi focar para a minha jornada de desenvolvimento pessoal de agora em diante:

 

MENOS habilidades fixas, MAIS progresso e jornada

MENOS julgamento, MAIS aceitação e amor

MENOS dom, MAIS esforço e resiliência

 

No final, no quadrinho central onde eu havia escrito somente a palavra “erro” inicialmente, eu desenhei o que foi para mim a conclusão final deste exercício: do lado esquerdo um monstrinho verde, cheio de dentes, olhos arregalados e feioso – representando o que era “erro” para mim no inicio do exercício. E sobre toda a palavra “erro” fiz um traçado não linear, irregular, evolutivo e em uma cor leve e vibrante – representando o que o “erro” passou a significar para mim, de agora em diante.

 

No artigo da semana passada, te contei que decidi começar o ano sendo mais gentil e acolhedora comigo mesma e parte deste processo é aprender a ressignificar o “erro”, focando no progresso e na jornada, com menos julgamento, mais aceitação e resiliência.

 

Vamos juntas(os) nesta jornada?!

 

No começo deste ano eu escutei o áudio livro “Mindset” da autora Carol Dweck (amei tanto que escutei 2 vezes!). Este livro me ajudou muitíssimo nesta jornada de identificação e tratamento da minha própria mentalidade. A autora guia o leitor à medida em que expõe as características da “mentalidade fixa” e da “mentalidade de crescimento” e mostra como podemos evoluir neste processo. Se você gostaria de evoluir sua mentalidade, se deseja remover possíveis travas em seu desenvolvimento pessoal e profissional – vale a dica de leitura!

 

“Mudança de mentalidade é sobre ver as coisas de uma nova maneira. Quando as pessoas mudam para uma ‘mentalidade de crescimento’, elas mudam de uma estrutura de julgar-e-ser-julgado para uma estrutura de aprender-e-ajudar-a-aprender. O comprometimento é com o crescimento, e crescimento custa tempo, esforço e apoio mútuo.”

– Carol Dweck

 

Obrigada por me acompanhar até aqui e te aguardo nos comentários para continuar o papo sobre este assunto! Grande abraço! 🙂

Author: Simone

Bacharel em Letras pela USP, Técnica em Secretariado Executivo, fluente em inglês, espanhol e português. Criadora do Secretariado com Simone, atualmente vivendo em Santiago do Chile.

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